segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Abrindo para balanço

Queria voltar a escrever aqui mas não sei bem sobre o que. Tenho tantos assuntos que me interessam mas não consegui escolher nenhum que coubesse bem em alguns parágrafos. Resolvi então refazer um balanço do ano que passou. Lá vamos nós:
Meu lugar favorito – Grenoble. Tinha esquecido como eu sou apaixonada por aquela cidadezinha tão charmosa
O melhor dia de 2012 – uma certa terça-feira em Nova York; uma quinta-feira em Nova York
Em 2012 eu pensei em fugir para o outro lado do oceano
Meu pior dia de 2012 – não saberia escolher
Em 2012, eu tentei e não consegui – implementar o Projeto Verão
Meu melhor presente de 2012 – Pietro, meu novo Fiat 500 vermelho, lindo!
A melhor compra de 2012 – dois soutiens e uma calcinha da Hope (me renderam o carro aí em cima)
Meu filme preferido em 2012 – Les Intouchables
Meu blog preferido em 2012 – continua sendo o da Ná
Meu vídeo do YouTube em 2012 – 
O da Regina Duarte na Ilha de Caras
Meu livro favorito – Snuff, mais Chuck para o mundo
Meu parceiro/a de 2012 – a inseparável, Gabi
Meu show preferido de 2012 – Gossip e Franz Ferdinand com as melhores companhias
Em 2012 eu consegui...ser menos pessimista
Em 2012 tive inveja de...todas as pessoas que conseguem ser magras
Em 2012 eu descobri que cansei de ser sozinha
Em 2012 eu quis matar...o ex chefe
E o troféu me mata de orgulho de 2012 vai para...Julis, que virou arquiteta
Momento surpreendente em 2012 - a Bel, grávida, e o nosso sonho Peter Pan indo por água abaixo
Meu momento "Eu sou Ryka" em 2012 foi...ter viajado duas vezes para Nova York
O problema de 2012 foi...a vida amorosa (ou a falta de uma)
O bom de 2012 foi...continuar a ter a certeza de estar cercada dos melhores amigos

Em 2013 eu quero....encontrar o emprego dos sonhos, morar nos Estados Unidos, viajar para a Europa, ter um novo casinho, ser magra de novo e continuar a cultivar o meu mais belo jardim, meus amigos. 

sábado, 11 de agosto de 2012

From Lebanon, with love

Ao chegar à França, em 2006, conheci a família Habib no albergue onde fiquei. Eles e mais cinco outras famílias libanesas que estavam lá faziam festa todas as noites: dançavam músicas árabes, nos ensinavam passinhos, fumavam narguile. Foi numa dessas noites que conheci melhor a Nahed e fiquei sabendo porque estavam lá: vieram fugidos da guerra contra Israel. Não sei se porque também me encontrava longe de casa, pela primeira vez numa cultura diferente, identifiquei-me desde os primeiros dias com a comunidade libanesa. Admirava-os muito por conservarem a alegria mesmo em tempos difíceis. Deixaram parentes, amigos, amores num país que estava sendo bombardeado e ainda assim sorriam. Os anos passaram, a amizade ficou. Este ano resolvi ir visitá-la e conhecer este país que sempre me fascinou seja pela história, pela comida deliciosa, pela simpatia das pessoas. Aterrissando em Beirute lá estava ela, me esperando, sorridente como sempre. Fui tratada como uma rainha do início ao fim. Fiz parte da família e da casa durante uma semana e foi uma das experiências mais incríveis que já tive. Até Halime, a empregada etiopiana, trocava saudações comido (assim, em mímicas, porque meu árabe não evoluiu em nada durante a estadia) e me acompanhou até o carro para dar tchau na minha partida. Surpreendeu-me o fato de a ambientação da casa ser muito semelhante às casas brasileiras (ao menos as do interior): uma sala de estar com sofás grandes, toda cheia de tapetes e decoração pela estante e paredes; a mesa de jantar grande para caber a família toda, sempre cheia de comida, de várias opções, claro, para a visita poder experimentar de tudo; o quarto com bichinhos de pelúcia em cima da penteadeira. Lembrou-me minha infância, senti-me em casa. Apesar da conhecida imagem de país árabe/muçulmano, a população libanesa é bem dividida em termos de religião. Mesquitas de seguidores do profeta convivem em proximidades com imagens e estátuas de Nossa Senhora em diversos lugares. Algumas cidades são mais cristãs ou mais muçulmanas mas as duas religiões parecem coexistir bem. Nahed e sua família são muçulmanos mas, como acontece com os católicos, uns seguem mais outros menos os costumes que deseja. Como o país é pequeno e meus anfitriões estavam ávido para me mostrar todas as suas belezas costeiras e montanhesas, conheci muitas cidades de norte a sul.
A antiga Byblos, atual Ajibail, foi minha primeira parada. Ruínas romanas antigas, um zouk cheio de bugigangas para turistas, um mar lindo e paisagens de filmes. Visitamos também a região fronteiriça de Israel onde o Hizbollah tem um “sight seeing” turístico, uma espécie de museu da guerra com Israel. Impressionante! Sente-se a raiva no ar. Não foi como outros museus que lembram a guerra que visitei, onde em geral sente-se a tristeza de vidas perdidas. Lá, há o orgulho dos mártires da resistência e dos soldados inimigos que morreram nos tais campos. Exposições de armas, canhões, artilharia pesada, equipamentos de espionagem. Até um túnel recriando a vida nos tempos de guerra havia. Confesso que era de tremer um pouco as pernas. Mas foi uma experiência única estar num lugar onde coisas tão recentes aconteceram; mais ainda é poder ver e ouvir das pessoas o sseus pontos de vista sobre a situação ao invés de seguir os acontecimentos pela mídia. Nesse mesmo dia terminamos a noite em Tyre, atual Sour. Linda praia, cheia de barraquinhas na areia. Jantamos num restaurante que servia um delicioso peixe fritinho. A família Habib me levou também para conhecer a região dos vinhedos, lozalizada entre duas cadeias de montanhas, mais ao norte de Beirute; passamos a noite em Zahle, uma cidade super bonitinha que me lembrou muito Iguape. Lá estavam os doceiros vendendo todas aquelas guloseimas à beira do riacho. Baalbek, perto da fronteira com a Síria, é um patrimônio incrível. Um templo romano ainda muito preservado e um sonho para quem gosta de história. É impressionante o sentimento de pequenez ao ver toda aquela grandiosidade. Nosso guia lá era libanês de origem brasileira. Ficou felicíssimo e não parava de enviar abraços a todos os “compatriotas”, gente muito acolhedora, segundo ele. Explicava que no antigo império romano a ordem era dada por “Deus, a mulher e o homem”. Ordem esta muito contestada pelo irmão chato (muito chato) da Nahed mas eu com minha boca grande não resisti em responder “Vês Habib (me dirigindo ao pai), os homens de hoje não constroem coisas tão lindas como estas”. Habib concordou sem hesitação. Comi tudo o que havia para experimentar, desde os conhecidos de sempre como esfihas, pão sírio, tabule (nada como o tabule da mãe da Nahed, aliás), kibe cru até fígado de galinha cru. Em cada refeição tinha a impressão que comíamos como uma família de dez, éramos geralmente quatro.
Habib, em árabe, significa “meu amor”. Nahed e seus pais refletem muito bem a beleza desse sentimento. Agradeço mais uma vez à essa família por me acolher tão bem em sua casa e me fazer viver toda essa experiência. Hei de voltar um dia.

PS> Minha amiga Nahed casou-se em 2010 e 6 meses depois sofreu um aborto espontâneo, quando foi diagnosticada como portadora de esclerose múltipla. Foi “divorciada” (sim, em casamentos muçulmanos apenas uma parte toma a decisão, o homem) enquanto ainda estava hospitalizada após ter perdido a visão temporariamente sem que tivesse a chance de vê-lo de novo. Apesar dos dias difíceis conserva no rosto um sorriso lindo, uma vontade de viver. Não reclama de nada e tem muitos planos para o futuro. Fez-me pensar como reclamamos demais da vida.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Eles são demais

Porque eles são assim, artistas natos, artistas sem serem artistas. Entram no palco, não fazem muita onde com o público, não rola um “Boa noiteeee”, no máximo um “Obrigado” (porque sim são educados) e tocam e cantam como um grupo de amigos que se reúne para fazer o que gosta.O Amarante definiu bem quando disse que era como "a hora do recreio da vida adulta".

Amarante é um autista charmoso. Canta com a alma, como se mais ninguém estivesse ali olhando para ele. Camelo tem aquela voz mansa que enlouquece. Barba não cabia em si na bateria.

Nunca fui muito fã de artista nenhum em especial mas deles eu conheço quase todas as músicas, canto com paixão e me descabelo quando vejo-os entrar no palco. Danço, fecho os olhos, me deixo levar, é simplesmente delicioso. O arranjo musical é fenomenal, a melodia original e as letras sempre me lembram algo ou alguém.Parecem músicas feitas assim, para a vida.

Das 25 músicas acho que não cantei 3 das quais uma era nova mesmo. Relembraram todos os discos, incluindo a alegria do “Bloco” ao intimismo de “4”; tocaram Ana Julia no bis sem tanta empolgação mas não com menor destreza. Acho que era uma maneira de mostrar que não esqueceram aquela ex-namorada que os fez viver bons momentos mas que deixou de ter muito a ver com eles.Queria ter ouvido o Camelo cantar "Santa Chuva".

Senti saudades, esperam que dessa vez tenham voltado para ficar.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Diálogo de um domingo de Natal

Pai: Mila,porque você tá desanimada?
Mila: Nada pai (e finjo uma risada, uma anedota)
....algum tempo depois:
Pai: Mila,que você tem, tá triste?

Meu não convive dia-a-dia comigo há mais de 20 anos e achei que ele não soubesse mais reconhecer minhas tristezas e alegrias..mas ele ainda sabe, foi meu presente de Natal
:-)

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Da série: notícias que eu gostaria de ver nos jornais

“Estudantes revidam ação do choque na USP pintando o rosto de branco (em alusão ao símbolo da paz) e fazem um enorme cordão humano que abraçava o prédio da reitoria da Universidade.Ali permaneceram durante mais de uma semana, enfrentando frio e chuva e incentivando acima de tudo a não-violência.”

“Revoltados com a situação precária da educação de base nas escolas públicas brasileiras, estudantes de Letras e Ciências Sociais fazem uma mega operação de recrutamento de professores voluntários: aulas de reforço serão oferecidas aos finais de semana para alunos de escolas públicas de ensino fundamental e médio.”

“Para protestar, alunos da faculdade de Letras embrulham a reitoria com um grande pacote de presente e ao invés de pichar paredes inovam pintando grandes cartazes que lembram muito obras de artistas famosos. Uma forma criativa e inteligente de chamar a atenção da mídia. Todo o material utilizado foi enviado à reciclagem.”

“Os jardins do prédio da reitoria da USP foi amanheceu, hoje, tomada de origamis de pássaros brancos (os chamados tsurus, na cultura japonesa) feitos pelos alunos que são contra a presença da Polícia Militar. Os estudantes protestam contra os conhecidos atos de violência empregados pela mesma no combate ao crime; os alunos reivindicam ainda que haja uma proposta melhor por parte da reitoria para evitar o tráfico de drogas realizado dentro das redondezas do campus.
Segundo o estudante fulano de tal 'esse foi um jeito inteligente de mostrar que combatemos a violência com a paz e que somos diferentes deles'. Os papéis utilizados para a confecção dos origamis foram enviados para a Cooperativa de Reciclagem.”

“Estudantes são levados à delegacia sob alegação de atentado ao pudor porque acamparam nus em frente ao prédio de reitoria da USP; os envolvidos alegam que esta foi uma forma de chamar a atenção da direção da Universidade e da mídia para a sua causa: contra a violência no campus (por parte da PM e de ações criminosas). As roupas dos estudantes foram doadas para as vítimas de enchentes do Vale do Ribeira, região mmuito pobre situada no sul do Estado de São Paulo.”

“Assembléia reúne mais de 10mil estudantes da USP que exigem maior investimento em escolas públicas de base e propõe o “mutirão da educação” para incentivar a participação, por parte dos estudantes, em “cursinhos madureira”. Todos na assembléia gritavam pelo fim da elitização da educação superior nas universidades públicas.”

Não sou contra manifestar opiniões mas acredito que a conhecida “elite intelectual” do país teria formas mais inteligentes de chamar a atenção e atingir objetivos do que pichar paredes, cobrir a cara igual bandido e manifestar da forma de sempre que não tem levado a muita coisa. Greve no fim do ano só prejudicará os alunos que irão se formar, os que precisam do diploma para por comida em casa e os que são contra a manifestação e tem sim o direito de o ser, como defendem os próprios manifestantes: “liberdade de expressão.
Na época da ditatura artistas fizeram músicas inteligentes, minha mãe se reunia com alunos da FFLCH para intercambiar idéia para o jornal do campus, estudantes lutaram de cara à mostra...pichar paredes, cobrir o rosto, usar barba para parecer revolucionário, lutar por fumar um baseado quando a educação de base é uma verdadeira lástima..não foi por isso aí não que eles lutaram minha gente.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Hoje me apresentaram como uma "rising star"..acho que nunca recebi um elogio tão eloquente.
Emília, toda orgulhosa quando você recebe um elogio da sua mãe pelo desenho todo borrado

domingo, 4 de setembro de 2011

Uma boa noite

Hoje fiz algo que há tempos me fazia falta: caminhei por uma São Paulo ensolarada, por uma Paulista iluminada e fui ao cinema sozinha. Gosto de sentir, às vezes, essa sensação de estar só no mundo, de haver eu e eu mesma para conversar nternamente.

Fui ver "Meia Noite em Paris" no cinema Unibanco acompanhada apenas de um bom chocolate com chantily.Noite deliciosa, filme apaixonante. Já no início me encontrava com os olhos brilhando com as cenas que me lembraram um álbum de fotos em movimento: reconheci cada um dos lugares relembrando boas lembranças. Paris sempre me deslumbrou desde o primeiro dia em que a vi.

O filme é uma mistura de risadas, fantasias e reflexões.Mais do que tudo me identifiquei com as angústias e ansiedades do personagem (ou personagens) que buscam a glória de uma época passada, que buscam momentos perfeitos através do tempo; sinto às vezes (muitas vezes aliás) que eu vivo mais o passado ou o futuro do que os momentos presentes. Visualizo a cena perfeita atrás ou na frente mas acabo não aproveitando o que acontece no momento.

Senti que tinha um insight ao mesmo tempo que Gil se dava conta que a vida acontece agora e que a sua arte depende de sua vida.
Voltei a sentir saudades da França, dos prédios antigos, dos cafés, do aproveitar do dia, da “art de vivre” que sempre me encantou tanto.

Quem sabe um dia volto. Meu coração anda aflito por numa nova aventura, receio tenha chegado a hora de pensar em novo rumos.